Abscessos cervicais causados pela aplicação de medicamentos e vitaminas de maneira indiscriminada

No artigo técnico de hoje, o assunto é a aplicação de medicamentos e vitaminas de maneira indiscriminada por proprietários e treinadores nos cavalos, sem a orientação de um Médico Veterinário, podem gerar sérios problemas para o animal, até mesmo levá-lo à óbito.

Abscessos cervicais são observados em animais que receberam uma injeção errônea ou um trauma na região da tábua do pescoço, causada pela administração errada de um medicamento, agulha ou seringa reutilizada e/ou contaminada.

Os abscessos são originados a partir de uma injeção intramuscular com material contaminado ou por via hematógena. É uma formação arredondada, de tamanho variável, podendo ser visível ou não, contendo líquido infeccioso, há calor, dor e flutuação. Para um diagnóstico preciso, o exame de sangue e a utilização de ultrassonografia possibilitam uma visão de amplitude do problema e o melhor local para uma possível incisão cirúrgica.

Quando administramos um medicamento de forma errônea, ou utilizamos uma agulha, seringa ou até mesmo o próprio medicamento contaminado, causamos uma irritação de todo o tecido atingido ee, levamos para dentro do músculo, microorganismos (fungos e bactérias) que causam uma reação inflamatória no organismo do animal. Esse abscesso pode ter origem imediata, como levar dias para o animal começar a apresentar uma sintomatologia. Geralmente é observada na fase inicial uma estrutura mais firme, se tornando mais fluída ao decorrer dos dias. Os locais de maior incidência são tábua do pescoço e garupa, porém, o abscesso pode acontecer em qualquer parte do corpo. A falta de apetite do animal, rigidez do pescoço e febre são sinais comumente apresentados nos casos de abscesso cervical. Além do abscesso formado, essa infecção pode atingir um grau de disseminação séria, levando o animal a uma infecção generalizada (septicemia), aguamento (laminite séptica) e até a morte.

As aplicações de medicamentos injetáveis em equinos exigem o maior cuidado possível, sendo efetuado por um médico veterinário, técnico, ou até mesmo o proprietário, desde que tenham habilidade e respeitem as recomendações e orientações do médico veterinário. A contenção do animal é essencial para que o procedimento seja realizado com segurança para ambas as partes.

A higiene é imprescindível para evitar a contaminação. Fungos e bactérias estão presentes em todo o ambiente, em nossas mãos, na pele e no pelo do animal, nas seringas e agulhas, e, também nos frascos de medicamentos em má conservação e armazenamento inadequado. As medidas recomendadas são:

– Armazenamento e limpeza adequada dos frascos de vitaminas e medicamentos;

– Mãos lavadas e limpas;

– Observar o local da aplicação, se está limpo e seco;

– Assepsia com Álcool 70% ou álcool iodado 2% no local de aplicação;

– Utilizar agulhas e seringas estéreis, de uso único;

– Não injetar mais de 10-15 ml por local de aplicação;

– Puxar o êmbolo para trás, certificando que nenhum vaso sanguíneo foi atingido;

– Descartar o material utilizado em lixo apropriado.

A administração de medicamentos por via intramuscular (IM), deve ser feita de acordo com as características do produto, estando sempre presentes nas BULAS. Devem ser administradas em um grupo muscular denso e profundo. O volume a ser injetado deve ser reduzido a no máximo 10-15ml em animais adultos por local de aplicação, sendo recomendada a divisão do volume total a ser injetado em diferentes locais do animal (tábuas de pescoço, garupa, etc). Esta alternância de locais é de extrema importância em tratamentos que necessitam de aplicações diárias.

Concluindo, atente-se sempre a maneira indicada de aplicação de cada medicamento, não armazene os medicamentos de qualquer maneira, não reutilize materiais, não se esqueça da assepsia e siga as orientações de um Médico Veterinário.

Colaboração: Roberto Delort, médico veterinário (CRMV-SP 6619) e Carla Ruzza Ceppi, Médica veterinária (CRMV-SP 35946)