Charles do Bronx rumo aos EUA para colocar o trote brasileiro em evidência internacional

O trote brasileiro volta a ganhar vitrine global — e com um nome que já carrega história dentro e fora das pistas. Charles do Bronx vai retornar aos Estados Unidos, onde terá dois compromissos de peso em um dos palcos mais tradicionais do esporte.

A primeira parada será no dia 8 de maio, na 2ª edição da “Batalha entre Campeões”, no icônico MGM Yonkers Raceway — pista onde o brasileiro já competiu anteriormente e que agora volta a recebê-lo em um cenário ainda mais competitivo. Desta vez, o desafio vai além de um Mano a Mano, como aconteceu na primeira vez onde venceu o jóquei Tim Tetrick, membro do Hall da Fama,  o páreo vai reunir alguns dos principais nomes do trote norte-americano.

Dois dias depois, em 10 de maio, Charles segue para outro palco de prestígio, o Harrah’s Philadelphia, completando uma dobradinha internacional que promete testar não apenas sua técnica, mas também sua capacidade de adaptação.

Entre o ringue e a pista: a motivação de Charles

Em conversa exclusiva, Charles deixou claro que sua relação com o trote nasce de sua paixão pelos cavalos e pelas corridas.

“Isso aqui é um hobby pra mim. O que eu sei fazer de verdade é lutar. Mas poder estar ao lado desses grandes profissionais e me divertir é algo mágico.”

Mesmo tratando o trote como paixão, sua preparação é levada com seriedade. Após ajustes na agenda, surgiu a oportunidade de competir novamente nos EUA, agora com uma estrutura mais robusta ao seu redor.

A estratégia da equipe inclui um trabalho antecipado de reconhecimento. Um dos integrantes, Gia Santos, já está em solo americano, estudando animais, condições de pista e detalhes técnicos para aumentar as chances no momento da corrida.

Experiência que pesa na reta final

Charles não chega como um novato. Sua bagagem inclui participações no Brasil, Argentina e a própria experiência prévia nos Estados Unidos — justamente em Yonkers. Atualmente, ele também está envolvido na disputa da Tríplice Coroa nacional, o que mantém seu ritmo competitivo em alta.

Esse conjunto de vivências pode ser determinante em provas onde leitura de corrida, tempo de reação e entrosamento com o animal fazem toda a diferença.

Um elenco de elite

Se o desafio já seria grande por si só, o nível dos adversários eleva ainda mais a exigência.

Entre os nomes confirmados, estão:

  • Yannick Gingras — jóquei canadense com mais de 8 mil vitórias e 230 milhões de dólares em ganhos, integrante do Hall da Fama desde 2022
  • Jordan Stratton — jóquei líder na Yonkers Raceway em 2021, mantém consistência estando este ano na quinta colocação com 42 vitórias.  
  • Dan Dube — venceu a primeira corrida em 1987 e, desde então, apresentou animais com mais de 142 milhões de dólares em ganhos. Venceu 487 vitórias em uma única temporada, em 1995.
  • Lauren Tritton — joqueta australiana radicada nos EUA é pioneira, conhecida como a primeira mulher a vencer três provas em um único card no The Meadowlands.
  • Pat Lachance — um dos mais respeitados jóqueis e treinador baseado no Yonkers, referência técnica, conhecido por treinar e conduzir seus próprios animais, tem mais de 2500 vitórias na carreira.
  • Timothy Tetrick –  ou apenas Tim Tetrick,  é um jóquei americano que começou nas pistas muito jovem e, em 2007 quebrou o recorde do número de vitórias em um único ano com 1077 títulos.

É um verdadeiro encontro de estilos, escolas e gerações — algo raro até mesmo para os padrões do circuito norte-americano.

Representando mais do que a si mesmo

Mais do que competir, Charles assume um papel simbólico importante.

“Querendo ou não, estou representando o trote brasileiro. Só de estar correndo entre essas feras já é uma conquista gigantesca.”

A fala resume o espírito da empreitada: não se trata apenas de resultado, mas de presença. Em um esporte historicamente dominado por Estados Unidos, Canadá e Europa, ver um brasileiro alinhando ao lado da elite já é, por si só, um marco.

O que esperar

A “Batalha entre Campeões” promete ser menos previsível nesta edição. Com múltiplos condutores de alto nível e sorteio de animais, o fator estratégico ganha protagonismo. Não basta talento — será preciso leitura de corrida, adaptação imediata e, claro, um pouco de sorte.

Para Charles do Bronx, a missão está clara: competir, aprender e, acima de tudo, deixar sua marca.

Se vier resultado, melhor ainda. Mas, independentemente do desfecho, sua presença já coloca o trote brasileiro em uma pista inimaginável.